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29 de outubro de 2026

Agricultura e El Niño

Por Nelson Gibson, CEO da Acadian Seaplants

A agricultura enfrenta um novo desafio climático, marcado pelo El Niño mais intenso já registrado. Instituições de previsão climática de todo o mundo, desde o Met Office, do Reino Unido, até o Centro Nacional do Clima da China, alertam que as águas do Oceano Pacífico estão aquecendo mais de 3 °C acima da média, ultrapassando o limite observado em eventos mais comuns do fenômeno. Não se trata de um ciclo climático habitual, mas de um evento com intensidade suficiente para transformar a produção global de alimentos.

As possíveis consequências para a agricultura são significativas. O El Niño intensifica as ondas de calor, agrava os períodos de seca, altera os padrões de precipitação, provoca inundações e encharcamento do solo, além de aumentar a instabilidade atmosférica. Esses fatores reduzem a capacidade de resistência das plantas, prejudicam a fotossíntese, comprometem a polinização e afetam as condições do solo. Os impactos já são perceptíveis, com crescimento mais lento, atraso na maturação, redução da produtividade e aumento dos custos de produção. As previsões indicam que 2027 poderá superar 2024 como o ano mais quente já registrado.

Para os produtores rurais, essa não é uma preocupação abstrata, mas uma realidade. O calor extremo provoca queimaduras nas folhas e abortamento de flores. A seca compromete a estrutura da parte aérea das plantas e reduz a mobilidade dos nutrientes. A instabilidade atmosférica prejudica a formação dos frutos e no enchimento dos grãos. Mesmo períodos curtos de estresse podem reduzir o sucesso da polinização e comprometer a qualidade das culturas. Em muitos casos, esses impactos podem superar os danos causados por pragas ou doenças.

A agricultura precisa de ferramentas capazes de enfrentar esse desafio.

Na Acadian Sea Beyond, dedicamos décadas ao estudo de como as plantas marinhas sobrevivem em ambientes extremos e de que maneira a tecnologia de bioestimulantes à base de algas marinhas pode ajudar as culturas agrícolas a desenvolver essa mesma capacidade de resistência. Nossas tecnologias da linha de manejo de estresses abióticos (ASM) e soluções, como o Ready for Stress™, foram desenvolvidas especificamente para enfrentar os diferentes tipos de estresse que o El Niño pode provocar de forma simultânea.

Essas tecnologias auxiliam as plantas a manter os níveis de clorofila, regular o uso da água, preservar a estabilidade celular e combater o estresse oxidativo provocado pelas altas temperaturas. Também favorecem o desenvolvimento das raízes, a absorção de nutrientes e a atividade de microrganismos benéficos, especialmente quando as condições do solo são afetadas. Além disso, contribuem para fortalecer a resistência das plantas em nível fisiológico, justamente onde os efeitos do estresse climático se manifestam primeiro.

Essas ferramentas biológicas já são uma realidade. Elas auxiliam produtores rurais a proteger o potencial produtivo das lavouras diante de condições de calor, seca e instabilidade atmosférica. Podem ser integradas aos programas de manejo agronômico existentes, oferecendo suporte tanto preventivo quanto de recuperação. Em um cenário no qual a variabilidade climática está transformando as regras da agricultura, a inovação biológica em larga escala deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser fundamental.

O El Niño reforça a necessidade de adaptação da agricultura mundial. Os produtores enfrentam pressões sem precedentes, e a segurança alimentar depende da nossa capacidade de oferecer soluções que preservem a produtividade mesmo em condições extremas. Um El Niño de intensidade histórica exige um novo patamar de resiliência, e estamos comprometidos em contribuir para que isso seja possível.

A inovação voltada à adaptação climática terá um papel decisivo na agricultura da próxima década. A questão não é se o clima continuará mudando, mas com que rapidez conseguiremos disponibilizar aos produtores rurais as ferramentas necessárias para que possam prosperar diante dessa nova realidade.

Sobre o Nelson Gibson 

Nelson Gibson lidera a Acadian Seaplants, onde supervisiona o desenvolvimento de soluções à base de plantas marinhas que ajudam os produtores rurais a proteger a produtividade, a saúde do solo e a qualidade das culturas, em um cenário de intensificação dos eventos climáticos extremos, como calor, seca e instabilidade climática em todo o mundo.

Sobre a Acadian Sea Beyond

A Acadian Sea Beyond, fundada em 1981 no Canadá, é a maior empresa independente de coleta, manejo e extração de algas marinhas do mundo, além de ser líder internacional em soluções biológicas sustentáveis baseadas em ciência para cultivos de alto valor, bem como para cultivos em larga escala. A empresa está comprometida com o desenvolvimento de produtos inovadores e patenteados, com foco em sustentabilidade, produtividade e agricultura regenerativa. Presente em mais de 80 países e com cerca de 400 colaboradores em todo o mundo, a Acadian se dedica à pesquisa com Ascophyllum nodosum, a alga marinha mais estudada no mundo e com resultados consistentes para bioestimulação de plantas.

Uma colheita melhor hoje, um mundo melhor amanhã.

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Semente brotando sobre uma meia lua gráfica.